


Falar da fundação de tão significativa Escola para a sociedade brasileira e piauiense, e não contextualizá-la no espaço e no tempo, poderia deixar o leitor sem a exata compreensão do objeto em estudo: essa quase secular instituição de ensino.
Em 1909, portanto 20 anos após o advento da República e 21 anos após a Abolição da Escravatura, com um regime de governo ainda não totalmente consolidado e uma sociedade ainda escravocrata, vivíamos um caos social decorrente da libertação dos escravos.
Tal fato, na prática, trouxe uma liberdade sem pão, sem moradia, sem reforma agrária e sem emprego. As grandes cidades brasileiras enchiam-se cada vez mais de ex-escravos, miseráveis a mendigar o pão de cada dia, crianças famintas, velhos doentes, adultos desempregados e adolescentes empurrados para a prostituição, o ócio e o crime.
Foi pensando em minimizar esse cenário de horror e numa possível industrialização do Brasil, até então um país eminentemente agro-pastoril e extrativista, que o Vice-Presidente de Afonso Pena, Nilo Procópio Peçanha, o qual, por morte daquele, assumiu a presidência da República em 14 de junho de 1909, precisou de apenas 101 dias para decretar a criação de uma Rede Nacional de Escolas Profissionais, distribuídas igualmente nas 20 capitais dos 20 Estados brasileiros.
O Decreto 7.566 de 23 de setembro de 1909 criava uma Escola de Aprendizes Artífices em cada uma das capitais de Estado e se destinava, como diz na sua introdução, “não só a habilitar os filhos dos desfavorecidos da fortuna com o indispensável preparo técnico e intelectual, como fazê-los adquirir hábitos de trabalhos profícuos, que os afastará da ociosidade, escola do vício e do crime”.
Por meio desse Decreto, na época conhecido pelo apelido de “Lei Nilo Peçanha”, Teresina, capital do Estado do Piauí, ganhou uma Escola Federal com o nome de Escola de Aprendizes Artífices do Piauí (EAAPI), hoje, Instituto Federal do Piauí (IFPI)